Há uns dias escrevia eu sobre tudo e nada aquilo em que penso, sozinha à escrivaninha.
É mentira. É mentira querer escrever porque é o último consolo - o único. É mentira que alguém se lembre de mim a toda a hora, e é igual para todos vós. Eu estou viva. Consolo-me. post-scriptum: JB, nunca saberei quem és, e estranho tu ainda me encontrares, aqui perdida. Tenho saudade de descobrir-me, tu ajudavas. Bom ano, um melhor que o ano passado digo.
JB, se vires isto, eu estou «na alma de Lisboa»
E eu acho que estou a mudar. Ou a deixar de ser tão fechada comigo mesma. Sabe bem não ser tão lida quanto isso.
Queria dizer adeus mas guardar este cantinho para mim. E não sei como. Estou tramada.
Rapaz, seres o teu Deus, o maior, ainda vai que não vai, agora não te tornes superior, não digas palavras que de certa forma nem sequer devias dizer, se é que entendes. O pior, é que a ti tudo te fica bem. Mas não te tornes no hipócrita que não és.
Não ter vontade nenhuma de pôr em palavras o que vai cá dentro porque é difícil, é desculpa esfarrapada. E como estou num modo desligado a tudo e todos torna tudo diferente. É um vazio. É o querer estar longe e no entanto saber que do outro lado tudo parece melhor. Do outro lado há movimento, parece-me. Parece-me mais mexeriqueiro e egoísta e cruel, mas é vivo.
O nosso mundo é uma vergonha. E eu faço parte deste mundo. É uma desilusão a cada dia que passa, que vergonha, vergonha de as pessoas serem tão cruéis, tão mal formadas. Que desgosto.
Não tenho mais nada a dizer.
Ghost por Sarah Lyn Love
E pronto, basicamente passei alguns dias a pensar em certos assuntos, sabem e por mais voltas que se dêem não se chega a lado nenhum por serem questões a que ninguém tem resposta, perguntas que eu fazia quando tinha 5 anos, e que continuo a fazer porque para mim estimula-me pensar em coisas como a existência e a origem do Tudo, e o depois, o Nada, a morte. Estimula e deprima mas faz pensar, e gosto de pensar.
É isso e ouvir música. Percebi que não precisam de se dar ao trabalho de falar comigo, descobri que posso passar por fantasma, principalmente no verão, e eu entendo que há muito mais que certas parvoíces, entendo que é possível descobrir mais de mim sozinha. Há que ter uns dias para nós.
«É uma das coisas que gosto muito na nossa amizade; o facto de não precisarmos de falar tanto como a maioria dos amigos falam. No entanto, estás lá quando mais preciso, sempre com as palavras certas; confio mais do que 100% em ti, conheces-me melhor do que ninguém... Somos a prova de que não precisamos de estar sempre a conversar para sentir a presença uma da outra.
E foi como eu te disse; quando mais precisares de mim e eu, infelizmente, não estiver presente, à noite, olha no céu, procura uma estrela, que serei eu a apoiar-te, a velar por ti.» por Marta.

cause you're not the only one
who's ever felt this way
don't let the world cave in
just tell me that you'll stay
as penas podem ser mais pesadas que um pensamento, porque o pensamento, por ser interno, um resultado de transmissões electro-químicas, não pesa. mas se tirares um grande peso de cima de ti não foi porque levantaste o peso de uma pena, foi o da alma.

guess what. hoje é o dia do Amigo.
o melhor de mim guardo-o para mim, nem que não seja o melhor. hoje foi o que percebi que faço.
entretanto, isto foi um bom sermão que ouvi, daqueles que faz pensar que devemos mostrar o que temos, e sinceramente, acho que ele tem razão. o meu pai acerta nas conversas de vez em quando. o que poderia mostrar não é perfeito, não é o melhor, não me faz sentir que é no mínimo bom o suficiente. mas as coisas mudam. mudaram. e este é o melhor lado de mim, aquele que ainda guardo.
ps: outra nota, passei de socialmente off para socialmente menos off. ainda fora, se é que me faço entender.
por hoje penso ser tudo.
são essas coisas de que eu gosto mesmo que ainda me fazem feliz. foi como te disse no outro dia. num mundo paralelo onde alguns e muitos outros existem nunca vão chegar a fazer parte do real.
Sabes, o Harry Potter marcou mesmo uma geração. Foi simplesmente mágico.
ps: isto sou eu fangirling, sim porque basicamente eu sou uma fangirl. Só que não tenho ninguém com quem partilhar isso. Fica para uma próxima vida.
post-post-scriptum: o inspira-me durante estes dias é se eu vou ou não adoptar o novo acordo ortográfico no blog. Eu tinha aqui no blog um componente cuja função era mostrar ao leitor que eu sou contra o acordo ortográfico. Passo a explicar. Nasci em França e foi-me complicado começar a escrever português correcto uma vez que a única coisa que eu escrevia era francês. Portanto, as palavras que sofrirão (ou já sofreram e eu ainda não dei conta delas) alterações provavelmente irão criar mais umas guerras entre mim e a escrita. Não que o acordo seja mau, aliás, toda a lígua tem de evoluir para não morrer. É como se o meu eu se recusasse a mudar. Não é estranho. O ser humano foi feito para suportar a mudança. Apenas vou preservar um pouco mais a língua intacta neste espaço. pelo menos, assim o tenciono.
Nota: adicionar esta publicação às irrelevantes para o leitor.
O futuro. ~
Falo muito dele porque não sei, aliás ninguém sabe o que vai acontecer. mas o problema é que eu preciso de umas luzinhas agora.
e parece que vou começar a escrever mais regularmente. afinal, isto é um diário a que todos têm acesso. chega de esconderijos. por enquanto.
e fez precisamente um mês que estava morta por estes lados.
lembro-me quando criei este blog. já faz mais de um ano é verdade. mas serviu para descarregar um pouco do que me invade a mente, só para que um dia mais tarde me possa rir das infantilidades que aqui escrevi e que consequentemente se formaram em tempos remotos dentro de mim. sabes, tem piada, uma das minhas primeiras publicações era sobre o meu gato preto. o tempo passa a correr realmente. adiante, não era tão pessoa quanto isso.
e percebi que gosto de escrever assim devaneios do que me vai na mente sem me preocupar se sou lida.
estou a falar para o meu eu interior, e sabe bem.
percebi que não devo esconder isto de mim. mas será privado de ora em diante.
sei lá, há mais de um mês que estou offline para toda a gente, num sentido literal, num modo pausa para tudo e todos, não sei, deixei de falar com toda a gente. mesmo até com os meus amigos mais próximos. é esquisito... e não é por mal. é só que aqui, com estranhos, é tudo muito mais fácil. não há nomes, não há histórias. há só um mundo paralelo muito mais... feliz. não sei explicar. mas depois sinto que vou perder os amigos que tenho. mas por vezes não faz sentido ter amigos quando não tens nada para dizer. nada de novo a contar. nada que possa motivar uma conversa. é estranho, mas é basicamente o que sinto.
Há cerca de um mês que me faço passar por invisível em praticamente todos os campos, todos os caminhos por onde passo.
Chego a sentir-me mal porque aqui obtive o apoio que precisei nas alturas mais difíceis, mas hoje venho cá, apesar de todas as feridas, e de todo o fumo à minha volta venho dizer que voltei. Voltei por mim, voltei por ti.
Venho para abrir o coração.
Se eu vo-la pudesse retratar, tão negra, tão apagada, se eu vo-la pudesse retratar somente para vós as verdes com olhos de ver, o quão triste ela é. A minha vida é precisamente assim, obscura, salgada mas aquelas faíscas de luz que a fazem continuar soam a pedaços de céu que servem para consolar os desgostos, e genuinamente torná-los menos severos. Se a vida é um dom, tomo o tempo, Pai. Eu quero pensar nisto por um momento.
#staystrong
I want a break of madness but it's all I have...
Troveja lá fora um calor abafante e bombardeia-me o coração com faíscas de rebeldia com estrondos suficientemente fortes para derrubar um débil qualquer, um fraco, um que não goste de trovões enquanto eu me libertarei neles.
***
Ultimamente as horas nocturnas preenchem-me com um vazio na alma, revoltam-me nas horas de luz. Perdi-me acerca do que queria, do que eu pensava, do que amava. Perdi-me nessas horas vagas, onde o mundo é escuro em parte, é escuro dentro de mim, é escuro apenas numa parte do que todos somos e vivemos, é onde durmo.
Acordo com os pequenos pedaços de sonho flutuantes num Nada sem sentido, deambulam por entre instantes enquanto nos damos de caras com o real acordo. Mas em vez de se dissiparem, misturam-se e invadem mais e mais a minha mente, até viver no próprio sonho, em tempo parado mas movimentos, luzes e cores muito menos vívidas.
Encontro-me a amar quem não me conhece, não sabe da minha existência, divago afinal, são tudo percepções, e melodiando encaro o espelho antes de adormecer, ouço entre murmúrios: se sonhares cem vezes em algo que te faça sorrir enquanto dormes, ela realizar-se-á.
Há certas pessoas que chegam a inspirar uma vida, ou vidas de milhares. Movem multidões pelo seu sorriso, por palavras ou gestos, pela sua voz ou música. Há certas pessoas que deixam um lugar especial no coração de uma vida, ou de milhares delas. Há palavras que rasgam a alma e cicatrizam em felicidade mensagens cujo significado pode conter um universo. Podem mesmo, certas pessoas, mudar o nosso mundo, ainda que não mudem o mundo inteiro. A essas pessoas devo bastante, mas ainda dói saber que são inalcansáveis.
Liberdade,
Sabes a quem me refiro. Sabe-lo certamente, ambos o sabemos.
Nunca te escrevi, faço-o agora. Digo que estou tão certo quanto a tua consciência, quanto a tua mão carregando uma caneta que flui sobre uma folha límpida e fresca tal não é a tua alma. Estou tão certo que soube que hoje seria o dia.
Há vários dias que tenciono explicar-te porque um pássaro voa. É isto, ele é a tua alma, a tua essência, e tu és a liberdade, o pedaço de poesia elevado aos altos céus, a palavra ímpar e pouco homónima a outras. Isto és tu, o resto são aparências. Agora acompanha-te o pássaro. Não te disse como ele voa, mas digo-te que o faz, e que se o faz é porque dentro de ti há um pássaro que voa, Liberdade.
Seria uma possibilidade não te ver mais. Mas já não o era, até hoje.
Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte das minhas palavras.
Não escrevo há já longos anos, com receio de que a minha mente te escolha, te envolva nas minhas palavras e não te largue.
Mas hoje caio até com um certo prazer. A bruma dissipou-se na firmeza do vento e a tua obscuridade assombrou-me. Ter-to-ia dito não fossem as palavras um silêncio e a voz a própria rouquidão.
Mas a barreira acaba de ser quebrada.
Até ao próximo obstáculo.
Saberão talvez que eu gosto de cartas. Não que sejam dirigidas a mim, ou que eu seja curiosa ao ponto de as ler, mas gosto de cartas.
Cada carta contém magia nas suas palavras, uma carta é um fragmento de vida retratado em palavras escolhidas em que alma se despe do Tudo e dos prazeres mundanos, para se entregar à escrita, ao sentimento lançado para fora do corpo pela mão e pelo pássaro que existe nela.
Escrever-te-ia uma carta, não soubesse eu por onde começar. A distância psíquica é agora maior. E sabes que é a madrugada que ainda te vê. O resto são... impressões.
Tais quais as que se deixam numa carta.
O tempo só é tempo quando por ele passamos, quando lhe sentimos as entranhas a roçar-nos a pele, a marcar-nos a memória, a fazer-nos viver.
É ele que no-lo faz. E fá-lo por ser dono e senhor do que nos rodeia.
Passaram furacões e tempestades pelas minhas portas. Assaltaram-me enquanto vagueio pela casa, que é vazia, em todos sentidos quantos a palavra os tiver.
É de uma tristeza viver acordada e sonhar em quase cada instante do tempo, que corre, que corre e me torna surda pelo zumbido da voz dos outros.
As melhores horas são claramente as da madrugada. Tão negra e solene, tão majestuosa. Em que os sonhos são perfeitos. São... divinos. São já alguns dias nos quais tenho vindo a sonhar um ser comum, porém intocável e impossível para mim, não obstante o quanto sonhe com ele. Seria inimaginável dizer-lhe o nome, pois mal o pronuncio dos meus lábios, surge-me outra imagem. A de outro ser, a de outro total e perfeito indivíduo, com o qual também me envolvo em imaginações, novamente.
É inevitável e terrivelmente degradante ao acordar, pois quer-se conhecer as facetas de todos, desvendar-lhe os pedaços de personalidade, que tão pouco se conhecem, em conversas longas mas maioritariamente silenciosas. Enfim, seriam conversas de olhares.
E depois de dar acordo, encontro-me a relembrar fragmentos das minhas nuvens. Touché. E ainda para mais, é demasiado bom quando se têm déja-vus, significa que tal já fora sonhado, ou pelo menos imaginado. Eu só peço aos anjinhos que me concedam mais desses a menos que os próprios queiram que os sonhos me invadam por completo a alma consciente que ainda me resta.
E, sem nada mais a relatar, é inocente que me declaro ter estado ausente durante tanto tempo, um tempo sufucante sem os seres que venero, longe do mundo em que, infelizmente ou não, existo, e numa multidão em que eu sou um indivíduo cuja falta sentida por outrém é mínima. Mas os que a sentem enchem-me o coração de alegria e sangue bem rico.
I love you guys.
«Sou eu. Hoje dispo-me um pouco mais, porque é na nudez que está o belo, dir-me-iam. Certo não é que o belo faça parte de mim, mas rodeia-me e envolve-me em brumas espessas ofuscantes à vista, o belo é o próprio desejo.
Sou de um suspiro fogoso, quente e uma alma feita de fumo, espalhada pela sala. Sou sem dúvida parte do vento e do mar. Parte da vida. Parte da morte, nesse caso, também. Sou um pouco mais do que escondo, mas não muito mais. E a verdade é essa.»
«Sou eu. Sou uma ténue e frágil linha, uma onda de desejo que deambula pelos mares de uma multidão inerte, ressequida de tão pouco ser avivada por almas que venero, que desejo.
Sou eu, uma pessoa de carácter pouco esclarecido, que pensa que o mistério faz parte dela quando é um livro aberto, tão transparente, tão lúcido que nem água. E contrariamente ao que também pensa, escreve noutra pessoa porque não é bem nela que se vê, é num 'outrém' mais belo intelectualmente, mais provocador, mais sedutor e ainda mais desejoso do que o próprio eu.»
Sentiu-se submisso perante a vida. Errava nela a brutalidade das pessoas. Não as entendia. Não entendia a sociedade, não era parte dela. Era Pessoa, um indivíduo, uma alma por detrás de uma sombra negra. Era uma nuvem melancolicamente poética.
Também sou uma nuvem, Soares, e nunca senti tão bem quem me compreendesse num extenso e cansativo momento no qual oiço os teus pensamentos, as tuas loucuras de homem bem instruído.
Um dos melhores filmes a que já assisti.
Para ti,
É incrível como misturas as palavras, usa-las tão bem, quase que enganas quem te lê e te ouve. Transforma-las em pedaços de mistério, tapados com uma capa negra. Não escondes que a tua vida, escondes o que ela é. E é bela. E tu esconde-la com bocados de sentimento, rasgos de inspiração divina e o teu perfume. Cheiras bem. Dizem que te amam, sorris e continuas. Devo dizer-te que alguém como tu já não mostraria um sorriso tão genuíno. E tu, que és grave, que és grande, és de excelência.
Estar a falar para três e encaixá-los num tu, que é o 'para ti' é venerar à força toda o que vocês são. Continuem.
Onde estás?
As tuas poesias são agora o único meio de te saber vivo. Isso e tua capa negra que me esconde o sol.
Esforçaste-te, trabalhaste, nunca desististe, magoaste-te, é facto, mas conseguiste - há tanto por dizer, amigo, faltam as palavras. É no silêncio que nos afastamos, irremediavelmente.
Não te sinto, não te olho nos olhos há já muito. Começo-me a esquecer.
Não será bom esquecermo-nos. A janela ainda te atrai, irresistivelmente, voluptuosamente, ardentemente. E eles fascinam-me.
No entanto é inevitável que prossigamos da mesma forma, isto é uma mera carta, cheia das palavras que nos faltam, mandadas ao vento.
Aproxima-te, meu doce,
Há já muito que não falamos. Não te dirijo a palavra, não o fazes em troca, por sinal.
Iria escrever sobre outra coisa, mas mal iniciei invadiste-me a alma, e há já tanto que não falámos. Vejo-te a rondares a janela praticamente todos os dias, vejo-te, mas não me vês. Vem cá dirias tu. Não dirias de certo, mas sonho-o. És atento, rapaz, és atento e desconfiado. Olhas o vidro e num relance observa-las, às que te inspiram. Revelar esse ponto foi fraqueza, meu caro. Mas descansa, estás em boas mãos, porque já não falamos.
Sou uma linha frágil, fina, negra mas definida. Sou constituída por pontos, pequeníssimos pontos encostados, um ponto seco, um ponto bravo. Vejo-me a pensar nisto agora que tracei finalmente umas metas, uns pontos mais longínquos de onde estou, que não sei se a eles terei o prazer de me encostar. Ao fim de passados um sexto de século de existência contemplo os meus sonhos. E como todo o ser sonhador, espero concretizá-los.
O fantasma tem nome.

Todos os direitos reservados.
É uma besta sem coração mas com estilo. É um amigo dos amigos, um deus. É um mistério em pessoa. É o género de homem que atrai, ele e mais uns quantos. São parte-corações com alma de imortais, que derramam sangue por amor.
Sou capaz de dizer que tenho um fraco por eles todos. E que os venero, e que os conheço na sua maioria.
Querido tempo,
Passo por ti a cada segundo e vejo-me a perder-te quando começo a sonhar. Imaginar é tão bom. Tempo, passas por mim e vejo-me a perder-te. E apesar disso fazes-me lembrar de ti, quanto mais não seja quando me vejo ao espelho, vejo as primeiras linhas da responsabilidade, as primeiras manchas da realidade. Mas é tão bom sonhar, páro o tempo.
Querido tempo, quando passares por mim faz-me sorrir, não me digas que o real é meu destino porque eu sei-o, e que o sonho será o meu refúgio, a minha terra escondida. Não o digas. Nós ambos sabêmo-lo. Anda, vamos sonhar.
Ao som de uma guitarra sou um sol sustenido, uma nota prolongada no silêncio.
Soa tristemente, melancolicamente e, no entanto, apesar do seu suspiro, é um grito magnífico o seu. O de um sol sustenido.
Perfuma os dedos com linhas de timidez perante as outras notas mais belas. Mas é meigo, por entre o sol, contagia as vozes, treme. É implacável.
Quero ser um sol sustenido, o som amargo dos meios tons, das meias facetas, tal como eu.
E de notar que se o sol sustenido não existisse, quem seria eu?
sempre achei que estas duas palavras unidas não fariam muito sentido, mas fazem. se é possível ter o coração a bater por ouvir uma voz de quem nunca vimos, é uma verdade. inconveniente, talvez. acaba por sê-lo de certo modo.
hoje aprendi muitas coisas. vi o mundo de várias formas. foi um bom dia. teve coisas boas e más. agora percebo que para ter um dia bom é preciso que tenha coisas que o tornem melhor.
pensativa, nostálgica, emocionada - faltam palavras para definir este estado. e sim, definitivamente entendi que não consigo viver sem música, sem arte. fazem parte de mim sinto-o.
embala-me música, que és tu que me pões o coração a bater mais forte porque eu te venero.
'Sabes, acho que já não vivo sem música' Foi o que disse quando me sentei e olhei para a lua. Hoje está lindíssima. Está claro cá fora, é óptimo. Sentada no topo da escadaria, vejo-a alta, prateada. Sorrio para ela, faz-me lembrar muitas coisas, não que sejam necessariamente boas, mas o que é certo é que todos os meses aguardo para falar com ela. Estou a fraquejar perante a arte. É poderosa sei que o sabem. Mas não posso falhar a minha missão. Eu amo a música, não consigo viver sem ela, mas não posso acabar perdida nela... confusa.
Entrou porta adentro na penumbra do seu quarto. Era a peça mais escura da casa podia afirmá-lo, mas fez questão de abrir a janela, e trazer um pouco de luz ao que era seu. Acendeu um cigarro e debruçou-se sobre a varanda. Ainda recordava o outro dia, em que a vira. 'Era tão igual a mim, incrível'. Murmurava ainda por entre o fumo aquelas palavras. O sol batia-lhe na cara, era quente, era suave. Apercebeu-se que aquela hora era mística, era aquela em que se mantinha perto da janela, longe da vida, perto do seu eu, do tempo, da paisagem. 'Um bom escritor fuma, n'est-ce pas?' Sorriu com aquele disparate momentâneo, de uma conversa relembrada. Não que não acreditasse, a teoria até lhe fazia sentido. Entrou para dentro, sentou-se na escrivaninha e redigiu um testamento dos seus valores sentimentais. Uma ideia não sua, adoptada, pois parecera-lhe interessante. E aí falhou. Pensava em dizê-lo directamente às pessoas. Faria mais sentido. Enquanto olhava para a janela, a perspectiva de dentro era-lhe diferente. E eis que ela voltou a aparecer. Talvez precise de falar com ela. 'Quem és?'

O teu último olhar, reluzente, agressivo mas em tudo amedrontado e carente, foi como areia para os meus olhos. Ardeu-me. E não consegui parar. Foi crueldade, foi. Foi a coisa mais difícil que até hoje fiz. Abandonar-te. Espero que um dia, se me vires, me perdoes.
"estou deitada na cama, sobre a almofada. é de sorriso nos lábios que imagino que estou deitada sobre o telhado. é de noite, por isso imagino as estrelas e a lua crescente, para me poder sentar nela assim que me apetecer levantar-me do telhado. mantenho os olhos abertos no escuro, a olhar para o vazio do negro, mas a reviver o dia que passou. este é em tudo contrário ao que vejo. é repleto de coisas boas e menos boas contudo agora percebo o quão fácil é ouvir música, sorrir, pensar. basta alucinar, rir um pouco, ter uns quantos amantes. mas, teoricamente, o que estou a fazer é esquecer e ao lembrar-me de que estou a fazê-lo é recordar. irónico. mas gostei disto. vou anotar."
vejo o pôr do sol do meu quarto, através do vidro translúcido. estou precisamente sentada ao fundo da cama, de frente da janela, e encontra-se, sobre os meus joelhos, uma mesinha onde pouso os cotovelos. O sol passa, lentamente, de um vidro para o outro, os reflexos são fantásticos. a minha mente está inerte, estou apática, talvez comovida. ou até concentrada apenas no calor do sol. não. não é isso. estou a pensar. mas de repente movo os cotovelos e deixo cair um lápis. o som acabava por ser estridente, ou não fosse a minha total abstração do lugar onde estou. apenas me levanto para o apanhar dou-me de caras com ela. Ela olhava-me fixamente. somos iguais. somos o reflexo uma da outra. afinal sou eu que entro no meu quarto e me vejo a mim, sentada no quarto, no meio daqueles livros, daquele ambiente são e calmo. afinal vejo-me a mim mesma. sou o meu reflexo. e daí em diante virei o espelho. não o parti, não por superstição, mas o meu narcisismo fê-lo guardá-lo. o lado negro do espelho cobre agora a parede do meu quarto. eram todas brancas. agora são só três.
De facto, ou eu me engano ou no passado já nos vimos.
Num passado antigo, ou num passado já meu, vivenciado algures num aeroporto, numa rua, num carro. Algures num comboio, ou numa cidade.
Estamos ligados por um curto fio, um fio de voz, um fio de água, um fio de fogo.
E pensar nisto é realmente incrível, quero dizer, nunca pensei nisto desta perspectiva, mas a teoria agrada-me.
E talvez seja por isso que os teus olhares, os teus sorrisos, eu os reconheça. Talvez sim.
É apenas uma mera hipótese, mas...
Ao longe avistara o corpo alto numa mancha dissipada. O ambiente era cinzento, a luz do sol surgia difusa pela janela, enquanto ele a seguia; eram os melhores minutos de que disfrutava. Ela observou outra vez a paisagem atravez da janela, puxando levemente a cortina. Ele, por sua vez, observava-a a ela, virada de costas para si, a imaginar o que ela estaria a pensar. Mas ela sabia-o a vigiá-la, um momento de malícia invadiu-a.
Era incapaz de se mover, mas os minutos passavam e não conseguia deixar o tempo continuar.
O sol queima-lhe o corpo, derrete-o, uma sensação de prazer em sonhar, mas de os olhos abertos, ciente do que a rodeia, de tudo, do barulho do qual se abstrai perfeitamente. É mínima a vontade de viver naquele momento. Então ergue-se, solta ainda mais o cabelo, raivosamente, no entanto com extremo esplendor pois o vento também ele tinha acordado. Eram só eles os dois, o vento e o seu corpo. Talvez escondesse uma ponta de ironia, mas o seu olhar era indecifrável. E eis que quando se vêm, os seus olhos escurecem, o tom ebúrneo da sua pele que sobressaía ainda que com a camisola branca, esta que, inadvertidamente, pouco condizia com o estado de espírito que carregava. Aí encostara-se ao muro e simplesmente se deixou cair. Contra ventos e ela ninguém podia dizer rigorosamente nada. Por fim, sorriu.
tonight i'll bet on you as well as i'll dream about you.
Não vale a pena desejar que amanhã seja um bom dia. O que acontecer acontece, porque, na fatalidade e no destino, já Eça quase no-lo dizia, estamos a caminhar irresistivelmente para ele.
Só espero que sim. Não acredito nisso mas por mim, é para o lado que durmo melhor.
E sim vai ser giro, nisso acredito.
Não te conheço, nem tu a mim. Nem sequer falamos a mesma língua. Moramos em locais diferentes, temos hábitos diferentes, conhecemos coisas diferentes. A probabilidade de te conhecer é praticamente nula, e o meu coração bate por ti cada vez que ouço o teu nome, a tua voz e a tua respiração. Isto tudo é hipoteticamente inpossível caso soubesse o quanto muitos te querem. E poderia dizer-te que és parecido com um anjo, que és o meu amor platónico, mas o melhor, ou talvez pior, é que nunca nos iremos cruzar. Se adormeço a pensar nas tuas canções, sim. Porque não? Fazes-me mais feliz não me conhecendo do que muitas outras pessoas. Não te amo, mas venero-te. De mim tens todo o meu apoio.
~Eis uma declaração muito especial~
Sentia-me viva antes do tempo passar. Antes de nos despedirmos ou mesmo antes de te sentir. Sentir-te será uma sensação avassaladora e todas as noites adormeço a pensar como seria.
Não te preocupes, meu anjo, não será eterno, será só até me sentir viva.
E quando desapareço no escuro de uma fenda, ou de uma sombra, tanto faz, sabes que o faço mesmo. E aí sentes-te inferior, ou sou eu que sinto a inutilidade do acto. Não há que temer dizer a verdade, sabes? É só isso, gosto de desaparecer.
it doesn't even make sense at all
«Não me olhes do teu alto, assim, dessa forma.»
Esse olhar intimidava-a, já o devia saber. Apesar de ela saber que procurava esses olhares, constantemente, mas eram errados. Por isso temia, temia que daí em diante não consiguisse dizer o que quer que fosse, a ninguém, o sol queimava-lhe a vista, e ele, santo deus, era um refresco num dia calorento. E agora, deitada sobre o sol, mordia o lábio inferior, enquanto o via, do alto do seu alpendre, do seu alto.
Estivera adormecida vários dias, os dias suficientes para perder a memória, perder-se de quem era, ou pelo menos, assim o queria pensar. Estivera perdida em sonhos, adormecida em lençóis negros, mas frios. Era um coma psicológico do que, sinceramente, até tinha gostado. Sentira pela primeira vez em muito tempo, liberdade. Sabia que não era amada, desejada, mas pouco lhe importava. Era livre, era linda. Era perfeita.
Chegara a noite, por fim. Tinha sido um dia estranho, como tantos outros. Olhou para si de alto a baixo. Estava vestida de escuro. E começara a despir-se para pôr o pijama. Olhava-se ao espelho, via nas suas costas as asas aveludadas que tinha de esconder. Ao contrário da roupa que vestia, e da postura que tinha, o branco da roupa conferia-lhe o ar angelical com que adormecia, em lençóis brancos, num quarto também ele branco. Olhou-se ao espelho antes de se deitar, ajoelhou-se em frente da cama e murmurou pequenas frases. Não as consegui perceber. E entrara em profundo sono. O que sonharia ela, tão doce e frágil? Eram arrepios, risos, sussuros e amantes, roubava corações a homens, matava e perseguia trovoadas. Corria à noite, à chuva. E era feliz.
Hoje não vira o seu rosto, não o soube mirar, nem sequer fitar os seus olhos. Não se dignou procurar ali uma réstia de doçura, ou de qualquer outra coisa, coisa essa que não fosse definível, tanto quanto custuma ser. Não levantara os cabelos, nem se ergueu do chão. Vendo-lhe apenas os seus passos - os passos que todos os dias daria em frente à janela, em que finalmente lhe conseguiria absorver por um segundo a imortalidade e indefinível beleza do seu olhar - o negro do seu dia acabava de começar. E pouco lhe importou na altura. Mas a fatalidade, e a incredulidade do destino... Nunca mais o viu.
«Querida Marta,
O quarto continua branco, completamente nu, despido de todas as possíveis manifestações que a arte conhece. É triste. E por isso peguei nos lápis, nas tintas, no pincéis, nas folhas. Desenhei, desenhei com ânimo, com o ânimo que me fugiu depois de teres partido. E vê, o meu quarto hoje tem uma parede mais brilhante, mais ousada, menos discreta. Era o medo do branco e do espelho. Por fim perdi-os.
Estou agora sentada na minha lua, em frente da janela. O sol está a descer em breve estará escuro. Acabo de olhar para a minha parede. É agora tua também.»
A luz da lua crescente na rua fazia reflexos prateados nos seus olhos, enquanto escrevia numa carta - mais uma - o que Marta não iria ver mais. A menina tinha agora um monte de cartas na sua caixa de recordações. Sabia que Marta não viria, mas também sabia, que no céu, haveria uma estrela em que ela estaria, e tinha a certeza que todas as noites estaria a vê-la escrever para si.
ps: inspirado na Lua de Joana sim (: mas este fui eu que escrevi.
Perante uma folha branca, vejo-me obrigada quase que a levantar a minha máscara. Quase. São raras as vezes em que sou eu e não a minha máscara e ao contrário, são inúmeras as personagens que crio e invento. Sinto que me faltam o engenho e a arte de ser eu, quando na verdade não o sou.
Uma conversa fiada e confusa para quem necessita de um tema bem mais objectivo do que este. O discurso é precisamente este, não irei mudar, mas não, não sou eu a expressar-me.
Escrevo sob a luz fraca do candeeiro, a janela já fechada e o quadro observa-me atentamente. A casa está emersa num silêncio agudo, numa atmosfera adormecida, de certo modo um bom momento de refelxão - chamo-lhes de minutos entre mim e a almofada. Contudo não me encontro na cama, longe disso, escrevo sobre a cauda do piano, não devia, mas já me fez imensa companhia, porque não também agora?
As linhas começam a tomar conta do espaço, é vazio ainda, nada de concreto, mas a seu tempo lá chegarei.
"Tenho dito que não sou eu. Pergunto-me se é possível. De facto, todos nós, uns mais, outros menos, vestimos a pele de actores, somos inventores e improvisamos, aliás, como sempre o fizemos. Como eu sempre fiz. Mas quantos papéis irei eu mais executar? Perguntas como estas fazem-me escrever devaneios e ter umas quantas crises existenciais. Afinal, de quantas máscaras sou eu feita? Será que as conheço a todas? Não, de todo, mas sonho-as, imagino-as. Dizem-me que possuo dois lados, quando eu sei que são mil as faces que tenho, cada uma muito característica, fazem de mim o que sou, o que muitos nunca viram, nem tenciono revelar, outras que fazem o que os outros vêem, a minha aparência. Contra essas não mais luto, sou quem sou, isso basta-me. Disso não duvido, e imagino que muitos também tenham a sua máxima. Esta provou ser minha, mais uma vez.
Onde escrevo e imagino, perguntam-me? Em lugares imaginários, é aí que sou eu, procuro pormenores onde pensam não existir, escrevo sobre venenos e amantes, e gosto de o fazer. Só sinto a máscara quebrar quando sou finalmente eu, e não a actriz que represento.
Tenho lido, vivido e com isso aprendo. Alimentam-me o hemisfério esquerdo do cérebro com demagogias enquanto deixo o direito respirar, a caneta flui simplesmente, os pincéis e lápis partilham o mesmo acto. Sou livre enquanto a minha alma o fôr, enquanto ela divagar por aí, não tem medos sequer, comanda quase tanto como eu nela. E como explico isto? Creio sermos seres selvagens, no sentido de livres, cada um possui um ser indomável dentro de si, é essa a parte que eu mais admiro nas pessoas. O meu ser está mesmo por baixo da máscara, o meu rosto em nada se assemelha com ele, mas permitiu-me infiltrar-me num mundo como este, frio e incoerente, falso, fraco e animal. Irreal por vezes, mas enfim, único. E se tal como a Terra a nossa vida é única porque não aproveitá-la? Deixemo-nos de insignificâncias e comportemo-nos. A vida são efémeros dias, façamos uma marca em cada um deles. E esperemos. Paremos no tempo os minutos suficientes para recordar o que somos.
Vivemos numa sociedade escondida numa máscara. Sejamos diferentes."
post-scriptum: agora o caderno de filosofia vai ter mais um pouco de mim (:
A fúria tomou-lhe conta do corpo enquanto a mente egoísta lhe ordenava uma frieza de espírito tenebrosamente calma. Estava sentada no pátio do jardim, o ar era gelado, o vento forte, as cores do céu macias de um pôr do sol digno de se ver. As árvores mais velhas encontravam-se já despidas observava-as do cima da escadaria e refez de novo o trajecto de onde saíra. Estava concentradíssima, entrara na sala. A sala, era um lugar húmido e despido, totalmente despido, onde apenas se encontravam dois móveis de sobreiro sem algum pormenor. Era lá onde guardava as jóias. Abrira a gaveta, retirara de lá anéis de ouro e de diamantes que colocava nos dedos. De seguida, rasgou um pedaço de pano branco. Ela estava completamente manchada de rancor e ódio e enrolava firmemente o tecido em volta das mãos, apertando-os o mais possível. Dirigiu-se novamente ao exterior, mais escuro notara. Encostara-se a uma árvore jovem, e batia-lhe com a sua força máxima, até lhe rasgar a pele ou pelo até não mais se sentir. Enquanto o rosto endurecia, as fitas vermelhas e sujas libertavam-lhe dos horrores mundanos. Era já tudo uma mera questão psicológica.
Fitava-lhe os olhos magneticamente, como havia muito que o não fazia, tanto que já quase não os conseguia desenhar no papel. Parecia diferente, mas todo ele mais atraente. Mais altivo e sério. A menina apenas sorria, os cabelos longos a cobrirem-lhe os ombros, o casaco negro e contraste com o seu tom pálido e meigo. Correram-lhe memórias naqueles poucos segundos, os suficientes para deixar o dia completo. Eras tão doce, pecado errante, pensava, e murmurava-lhe, não que o ouvisse é certo, mas os seus olhos eram janelas sombrias pelas quais agora recordara como as devia ler.
Ouve-me.
O que ouves?
É no silêncio da noite
Que o meu grito é audível.
Não é eco, é um coro
(Mais e mais celeste, um choro divino talvez)
Mas de certo temível.
Caminha sem rumo, nem vela,
para que no escuro não te vejas.
A noite é tua, o corpo teu.
É matéria envolta no nada,
e substância impura de és feito.
Não caminhes assim, plebeu,
que és esguio entre ela,
a chuva que te corre no rosto
e a candura da tua pele
que te escondem com artifício,
não servem para um caminhar como o teu.
{Corre antes.
O deus das trevas espera-te.}
Toca no coração.
Sente-lo bombear?
És seu servo, serve-lo de oxigénio.
Ele comanda o teu corpo e não é alma
É apenas uma ínfima parte de ti
Com engenho suficiente para te matar,
Com arte e subtileza para te fazer tremer
Tremer, viver, morrer, amar.
Resiste ao ímpeto do suspiro.
Bloqueiam-se as veias,
quebra-se o ritmo da realidade.
Fecha os olhos, ilude-te com pecados.
Respira.
Quem te percorre a mente?
Um única pergunta, sem rasteiras,
nem quaisquer outras armadilhas.
E surge-te a resposta, verdadeira.
Completa-te.
Respira novamente.
Agora é o teu cérebro que comanda.
Pesadelo ofegante, murmúrios e lágrimas, num olhar insaciado de uma vista larga e abstracta. O desassossego da sua alma na perturbadora noite. Revoltada, adormeceu.
O sol raiava sobre o branco dos seus lençóis, os cabelos harmoniosamente descuidados sobre a almofada. Um acordar penoso e, contudo, intrigante. Tinham sido os sonhos. Erguera-se e caminhara a passos nus em direcção à janela, que surgia com esplendor, ao fundo do corredor, suavemente luminosa. Dirigia-se então assim, tal como no seu sonho, à janela. Por certo, os seus olhos viam algo que ali não estava, mas havia de facto uma sombra negra. Imaginação perspicaz, meu amor, foram as suas palavras. O misterioso jogo, a sua mente. Amara dois homens numa única noite, e deparava-se agora com uma sombra. E numa tentativa falhada procurava saber, quem és?
Chama-se veneno,
e corre-me nas veias.
Corre-me como fogo
que devora uma floresta
que tudo consome,
é um veneno,
e dele nada resta.
Eu?
eu sou o gelo,
sou o mar,
sou o vento.
Sou tempestade que desaparece
Sou luar que te protege.
E ela?
ela é a chuva
que percorre o vidro
com cada gota
Esta, chama-se luz,
e treme, pálida, velha e barulhenta,
sobre os meus ombros.
Tremem-me as mãos,
cujo suor salgado que transpiram,
se torna em fraqueza,
e escorregam-me as palavras
pela caneta,
escrevo o seu poder,
mas não morro por aqui.
Chuva,
que outrora me molhavas os cabelos,
me pintavas as faces e me escorrias pelo rosto,
hoje, és o meu veneno.
És o meu sangue.
Constituis o que de mim é gelo.
Apagas a luz do candeeiro.
Só restando a luz do fogo,
que devasta e tudo consome,
essa manter-se-á acesa,
lusidia e vívida, até morrer.
Porque nós, bem,
nós seremos para sempre assim.
E vocês?
Chora, porque quando choras, humedecem-te as faces. Fervem-te os olhos e aviva-se a cor dos teus lábios. Chora porque te prendes ao infinito e largas o que não tens, mas chora por algo. Chora com intenção, com calor, medo. Balbucia as palavras que tens cá dentro. Chora quando ninguém estiver a ver, chora perante a multidão, mas por favor, não encenes. Chora de verdade. E depois, espera pela tua outra faceta. Empalidece-te a face novamente, os lábios enrubescem mais, mas secam. Aí, o riso acabará por chegar.
~ ouve, que o meu silêncio está errado. ~
«Sabes quando o mundo pára naquele instante?». Apenas se lembrava daquela expressão.
Estavam tão longe, durante o dia eram opostos, mas à noite, quando tinha sorte, eram inseparáveis, pelo menos, pela sua parte.
No entanto, naquele preciso momento logo após ter erguido a cabeça no meio de todos, encontrou o seu olhar e jurou que, naquela fracção de segundo, tinham-se encontrado. À luz do dia. Parecera que nevava levemente, tão doce era a visão, ou talvez fosse ilusão óptica, apenas lhe parecera adequada para o momento. E o tudo que no momento havia, desvaneceu. Então voltou ao mundo, continuou a caminhar e eis que tudo acontece novamente, tudo, à excepção da pessoa. Era outra pessoa, cujo encanto era outro, outro aspecto, outra doce visão. E não resistiu em beijá-lo.
«Sabes quando o mundo pára naquele instante?». Perguntava-se se sabia. Ou se tinha sido um milagre.
a escola era um edifício já com sessenta anos, mas que durante o dia mostrava, em cada canto, vida. os dias passam, as pessoas correm, de um lado para o outro, umas deixam a sua marca, outros preferem deixar-se andar, até darem pelo tempo perdido, quando já é um pouco tarde. mas a questão não é esta. ficar na escola, só, de noite, a percorrer os longos corredores vazios, iluminados apenas pelas luzes de emergência, quase como abandonadas no silêncio ensurdecedor que se fazia sentir. era um dia importante, um dia que ansiava. o dia da dança. a dança é para muitos uma corrente que não amarra, é libertação e expressão, é para outros uma religião. dança é paixão. eu hoje vou dançar, deixar o corpo fluir e mostrar que todas as partes do meu corpo se mexem com harmonia, e delicia-se extasiado, porque não há limites.
meus amigos. não aguento mais sem isto! i'm back, for good
Hoje volto. Prometera-te que o fazia. Receio que pouco ou nada mude, mas por agora manter-se-ão os mesmos diálogos, a mesma conversa fiada e sem conteúdo. eu sei. no entanto sinto que cá dentro, numa réstia de coração menos quente, volto porque sinto necessidade de te ver mesmo que o não faças. é claro que não te culpo - na verdade, não conseguiria de todo fazê-lo - mas penso culpar-me a mim e ao tempo. criou-se um certo afastamento, e da minha boca, onde outrora se ouvia um som, ainda que fraco, das minhas palavras, que tão pouco que te atraíam, hoje certamente nunca te cativarão mais. é como estar emerso na escuridão. mas é preciso acordar. é do que precisas. eu compreendo, contudo não te defendo. seria inútil fazer tal porque eu vivo na sombra da luz, tal qual o teu poço escuro mas a tua luz alia-se à do sol, unem-se e tu consegues provar que és mais forte e mais obscuro, apesar do teu reflexo ofuscante. é esse o meu medo. essa luz cada vez mais forte. eu já acordei. só me falta redescobrir o mundo da luz. e tu, bem, eu cá te espero.
**Post Automático**
"All I want for Christmas is you"
Estou a dar supostos sinais de vida, porque na verdade programei isto com bastante antecedência. Apesar de tudo, não me podia esquecer de vos vir desejar um Feliz Natal, com muitos risos, magia e chocolate.

post-scriptum: Estou com saudades disto. Mas regressarei. Obrigada pelas mensagens de apoio, consegui lê-las antes de me ir embora.
vou andar desaparecida.
sei que não vou poder cá vir, vir ver-vos, ouvir os vossos desabafos ou ler maravilhosos textos.
sei que não vou poder vir. vou precisar de um tempo. para pensar, para mim.
não vos vou esquecer nunca, mas não sei quando voltarei.
não se esqueçam de mim, por favor. foram as melhores pessoas que eu encontrei quando precisei de apoio.
e, parecendo que não, estou a chorar, porque vai ser difícil.
mas eu prometo aguentar.
até lá,
Joana
não sei como te escrever, só sei que te escrevo tal como prometi que te escrevia. sinto ainda a tua falta desde que partiste.
estes dias têm sido difíceis, mas tenho-me aguentado, não te preocupes.
apenas escrevo para te trazer notícias.
está tudo igual; bem, nem tudo. o tempo amainou, o que não era o eu pretendia, gostava da chuva, no entanto, o tempo continua agradável, pelo menos ainda me faz companhia. a menina do lado agora vem da escola triste, mas nunca lhe perguntei nada, contudo, sinto que devia fazer algo. estou à espera de mudar, mudar alguma coisa. sinto-me pessimamente este últimos dias, como se sentisse um vazio cá dentro. não é decerto um vazio, mas não é como era antes. já não sinto a vontade de viver. por vezes forço um sorriso para que não me olhem fixamente. é, desde há relativamente pouco tempo tenho-me escondido atrás dos cabelos, penso que o faço intuitivamente, ou melhor, prefiro pensar assim. não me tomes por egoísta, sei que estou a criar um muro à minha volta mas percebe que talvez seja o melhor. sinto-me cansada. durmo demasiado e quase não convivo. mas é o mesmo, eu fico bem.
- Enganam-se os seus olhos se pensam encontrar os seus. Engana-se a alma com recordações que não lhe pertencem. Engana-se com música e um lenço de papel. Perde-se com sonhos e lembranças. Olhares. Actos incompletos.
Eu fiquei MESMO feliz com este destaque.
Tem sido o meu Grande Amigo este blog, por todas as pessoas que conheci até hoje, pelas palavras de conforto que aqui encontro quando estou menos bem, pelos textos que leio, pelos abraços que recebo, mesmo que virtualmente, por ser o meu caderno de lamentos e torturas, de ficções e aventuras. Por isto, e muito mais, um sincero OBRIGADO, do fundo do coração, a ti Sapo.
~desde 5 de Julho de 2010, obrigada luz~
VISITEM e COMENTEM: http://justmeandmybrokenheart.blogs.sapo.p
http://adifferentwayoflife.tumblr.com adicionem se quiserem ;P
As pedras de gelo batiam nos vidros com raiva, e estes enfureciam, regelavam, rachavam, mas resistiam. O vento movimentava-se em círculos poderosos e devastadores. Os relâmpagos davam ao céu tons de azul e amarelo. A visão humedecia-lhe os olhos. Mordeu os lábios. O cabelo magnetizado pela atmosfera, colava-se ao rosto que fitava o exterior através do vidro. Como eram belos os poderes do céu e da Terra. Eram os deuses da morte e do belo, deuses, e pintores. E fotógrafos. As pedras batiam com mais força, maiores e mais brilhantes. Abrira o vidro. Respirara o ar do momento. Fechara o vidro. E, desviando o olhar, talvez por algum reluzir, o som, que do quebrar dos vidros fora inevitável, ecoou pela sala...
Quando o frio lhe bate na pele e a rasga, sem medo, sente o sangue cair-lhe. Mas nada faz. O sangue quente que corria, o vapor que do corpo saía, era uma sensação de alívio. Era um alívio saber que dentro daquele corpo, existia algo ainda quente, algo que ainda pudesse fazer lutar. Apesar do gelo que nela possuia, este não era tão grande quanto o que nos olhos dele via. Era raiva, solidão e frieza. Mas ainda assim, tinha a correr dentro de si, sangue vermelho como o fogo que lançava. Estava vivo.
{ficção}
Sim, sentira-se profundamente presa naqueles dois segundos, ao seu olhar. Parecia pedir-lhe que se chegasse mais perto. E como ardia a sua alma naqueles dois segundos. Pulsava-lhe o sangue a uma velocidade estonteante. Quase parara. Mas não quis. O puro egoísmo - o malvado instinto - levou as suas pernas, não mais perto dele se chegaram. E agora relembra aqueles olhos maravilhosos, na tentativa de os poder ver. E saber que nunca os irá ver mais.
e saiu isto {sim, eu adoro motas *-*} ^^

ps: façam-me o favor de ver os desenhos da Rita Dobrões =o é que ela tem mesmo talento (:
«Diz-me quem é que te inspirou no poema ...
Tu escreves, mas cheio de mistério
É como se só quisesses mostrar o teu sangue cair
E não te deixas curar
Só o deixas passar a pele
Romper-te as veias
O teu coração
E lá no fundo, dói-te
Só que o exterior não mostra
Consegues ter uma faceta escondida
O teu outro lado
Eu admiro-o
É o que eu mais gosto, porque foi esse que aprendi a conhecer.
***
Maybe you're the prince you want to show to everyone
Maybe you're a prince inside
Just maybe you're too good to show it
Maybe you could be a wonderful prince
maybe...
ao melhor amigo que já tive.
PS: a Summer Wright fez o 900º comentário. Thanks Sweetheart (:
Era uma questão de voltar, mas faltava-me o tempo.
***
Era noite, escura e fria, e eu caminhava sozinha. Passavam poucos carros e a fraca luz alaranjada dos candeeiros de rua tornavam o ambiente pouco convidativo, mas mesmo assim não deixei de caminhar, aliás, enquanto o fazia, aquecia. O vento ia aumentando de intensidade, e eu encolhia-me no meu casaco forrado de pele, macia e quentinha. Gelavam-me os dedos, mas eu não largava o que eu por eles segurava. Finalmente, chegando ao destino, entravava numa sala cujas paredes velhas e enrrugadas e a pouca luz não eram convidativas, ainda assim estava lá quem eu queria que estivesse. Estava farta de rodeios e joguinhos, e puxei o gatilho, sem que ele pudesse ter-se justificando perante o diabo. Sobre ele deixei cair, por fim, a rosa que eu segurava, que beijei e perfumei saboreando a sua queda.
PS: agora um aparte ^^ a nyssa ofereceu-me uma plaquinha, digam lá, não é linda? =)
Sabes, estou mal, dói-me tudo, tenho problemas em casa e na escola, não está fácil. E dói-me a cabeça também, mas isso deve ser de pensar muito, e de estudar. Estou cansada. Preciso de sossego e amigos, e se não for pedir muito uns mimos. Estou a entrar numa depressão paranóica. Sabes, dei conta que se eu cá não estivesse era melhor.
E não venhas cá com histórias. Estou a tentar manter a calma, é por isso que estou ao piano.
[Editado]
Já estou melhor. Há que pensar positivo. E partir uns copos sempre ajuda (a).
É o 1OOº post.
Nem acredito, o tempo passou tão depressa. Este blog já me ajudou tanto a crescer como pessoa melhor, sinto-me bastante feliz por tê-lo criado, e agradeço do fundo do coração por lerem e corresponderem.
***
{ficção}
Era sem dúvida a sua maior inspiração do dia. E talvez, ou mesmo por certo, o que a distraía. Podia jurar que o coração dela estava a ser aspirado pelo dele, mas não. Era uma atracção química tão forte, não resistiu em pregar-lhe um beijo. Ainda assim, um beijo bem próximo dos seus lábios, quase tão próxima que corou. Mas não se rendeu totalmente, disse logo um adeus muito a custo, mas inevitavelmente feliz.
post-scriptum: quero um vestido igual a este *w*
post-post-scriptum: a Summer Wright fez o 800º comentário ^^ muito obrigada. clica aqui.

{ficção}
Enquanto ela caminhava timidamente por entre a multidão, o rapaz agarra-lhe o braço, encosta-a a si, pela cintura, e beija-a fervorosamente a bochecha fria. Pediu-lhe logo um beijo. Ela concedeu-lho, muito corada, enquanto o coração dela pulsava fortemente. Largou-o, pois foram interrompidos pela multidão. E mal o rapaz se viu com a visão livre, ela já tinha escapulido, olhando para trás, para ele. E ambos despediram-se com um olhar profundamente brilhante, e um sorriso do tamanho do mundo.
Era-lhe urgente chegar a ele, mas não conseguia. Por mais que se esticasse. Era uma luz, longínqua e tão surpreendentemente cativante. Sonhava com ele havia muitos dias, eram dias e noites com os olhos fechados, a mente fechada, apenas para a sua imagem. Era urgente chegar a ele. Caminhava descalça sobre o chão frio, com uma camisa branca apenas. Os cabelos compridos sentiam-se por fim soltos com o sentir do vento. Caminhava agora para a luz, após a facada que recebera. Sentia-se petrificada, até que, sim, acordara. A pancada que dera na parede enquanto esticava o braço fora a sua salvação. Acordou, pousou a mão sobre o corte na barriga, e erguendo os olhos, sorriu pois ali se encontrava ele, à sua frente. Já não era urgente alcançá-lo. Ele já o tinha feito.
Não, não morri {não sabia bem como começar, nunca falo de mim na 1ª pessoa aqui, é estranho}
Não tive inspiração nenhuma para escrever. E detesto fazê-lo sem motivo {o que eu tenho vindo a escrever têm a sua razão de ser, e não têm havido momentos, nem sensações, nem nada, nem um olhar ou um sorriso sequer. Uma infelicidade tremenda. Acreditem}
Mas! Tive uma ideia. Como não sou de me deitar abaixo -ok sou, mas há que mudar- decidi criar uma rúbrica, que penso não existir, e por isso a acho original *w*. Todos as semanas, publico uma imagem, montada ou simplesmente encontrada por mim, na qual vos explico como me sinto. Digam o que acham.
Btw, vou actualizar-me já já, e comentar tudinho. Confirmem.
Querida Lua,
Sabes, ela sente uma nostalgia tão grande, ou talvez tristeza. Não lhe alcanço o olhar. Não sabe bem porquê, mas sente-a. Ouve música triste para se consolar. Relembra momentos bons. Relembra-se do quão parva é por não aproveitar a vida, não ter aproveitado os melhores momentos contigo, e agora vejo-a sentada a escrever no seu caderno, enquanto vê fotografias. Ela está bem, não te preocupes, esta carta é apenas um desabafo do que vejo. Por favor, não a deixes cair, agarra-a. A vida é mesmo algo de especial. Sim, hoje, apesar de tudo, ela agradece muito por estar viva.
assinado: Anjo de J.
***
PS: a Anna faz anos, parabéns querida ^^
E a Blowers Daughter fez o 700º comentário =0 'ö' Estou super feliz, se não fossem vocês a ler isto, e a darem-me o vosso apoio, comentário, ou mesmo opinião, que para mim é extremamente importante, sobretudo desde há alguns tempos para cá, não seria, certamente tão feliz. Obrigada. Nem sei como agradecer-vos =')
Aqui está a plaquinha como agradecimento (:
"I've always been a bit insecure about my smile, but it's days like these where all I want to do is smile."
~Nick Jonas
«Cheiras a mistério, para além do teu perfume»
{ficção}
Sou o fantasma que trespassa paredes infinitas.
Muros de pedra fria, de gelo, amargamente espessas, brutas, ásperas. Mas deveras lindas.
Passo por ti, dentro de ti, como um fantasma.
Coro de medo, mas com um lustro nos olhos. As efélides cobrem-me o rosto que lança olhares rápidos e maliciosos.
Mas eu sou o fantasma que não vês, não sentes. Não estou aqui.
***
A ~mia fez o 600º comentário do blog! Estou felicíssima. Aqui está a plaquinha em agradecimento. Muito Obrigada =')
Sim. Finalmente percebera o quão preciosa é a vida. Percebera que vivera o tempo suficiente apagada, invisível, desprovida de sentimentos mágicos e de adrenalina. O coração que possuía era duro e áspero, amargoso; mas intensamente rebelde. Era uma fera domada, assemelhva-se a um tigre de natureza selvagem enjaulado por ferros inquebráveis, e era tão feroz e terrivelmente dócil, sedutora mas facilmente seduzida, forte mas implacavelmente destruída, racional e sábia, mas incrivelmente inexperiente. Precisava de se libertar. E fê-lo. era agora livre. Jovem mas com tanto para aprender. A rebeldia era mais que visível pois com coração e alma felina, sabia-se agora viva. E apesar dos obstáculos da vida, das lutas e dos arranhões, as feridas deixarão memórias que as cicatrizes irão contar.
A vida é tão curta, aproveita-a, estás a caminho, e porque a tua passagem é efémera, deixa o teu rasto ;)
A vida são dois dias, faz deles uma festa.
~Dedicado ao melhor amigo, porque me ensinou esta linda frase.
1st: a Rita Dobrões destacou-me com blog do mês ^^
Estou super feliz. Muito Obrigada querida =') E este post é-lhe assim dedicado :3
2nd: o 550º comentário foi feito por ela :D Foi niceee e aqui fica a plaquinha ;P
E agora deu-me uma plaquinha tãao linda :$
***
"Estava encostada a uma coluna de pedra branca. Naquele dia vestia um vestido curto branco, que lhe assentava perfeitamente. O vento frio soprava e os cabelos compridos moviam-se ao seu sabor. E apenas se virara, avistara-o. Ele estava a olhar para ela. Sentira-se corar e voltou costas, procurando no horizonte um ponto que pudesse fixar, enquanto ia caminhando a passos lentos. No entanto, sentiu um puxão no capucho peludo do casaco que a aquecia. Era ele. Ultrapassara-a e virara-se para ela, entregando-lhe um soriso, que ela, inevitavelmente, lhe retribuiu compulsivamente. E vendo-o partir, murmurou-lhe palavras que o fizeram voltar a olhá-la e sorrir-lhe, e ela corando, baixava os olhos que reluziam e o rosto que sorria e sorria, sem parar, enquanto caminhava pelo campo verdejante à sua frente, alcançando um ponto onde se sentara e comtemplara a coluna de pedra branca."
"Era o que lhe chamava de amor passageiro."
Do céu não se via o sol. A chuva caía, era fria e pesada. A aragem fresca movia as folhas mortas tombadas no chão. E debaixo do pátio, ao abrigo da chuva, lá estava ele, encostado a uma coluna, com o olhar preso ao cair monótono da água. O frio decerto o arrepiava, mas não tanto quanto a ela, que o via, sentada no banco. Levantou-se, e encostou-se também ela a uma coluna, mas afastada e olhou para a linha do horizonte, aquela que provavelmente olhavam ambos, numa mesma direcção. Ergueu mais alto os olhos, o capuz caíra. Observava o céu. E, amargamente, do seu pensamento, murmurava baixinho "são lágrimas do céu". E o rapaz olhou.
Dear Moon
Hoje fui incrivelmente fraca e sinto-me uma total e perfeita ingénua ao ponto de ainda ceder, e o pior, de me deixar ceder. É triste perceber o quão baixo as pessoas podem descer, mas eu não as culpo, culpo-me a mim, por ter cedido. Provocam-me náuseas e tonturas pensar que o meu eu mudou tanto em tão pouco tempo, e de quase nada me sobrou. Mas, querida, por mais que o meu desespero seja grande, maior será ainda o meu sorriso no final. I swear.
PS: a -anna fez o comentário 500 aqui do blog ^^ Isto deixa-me completamente sem jeito, mas imensamente feliz. {obrigada, do fundo do coração}